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DATA E LUGAR DE Redação:                
Esta epístola foi escrita, provavelmente, por volta do ano 55, durante uma permanência de Paulo na cidade de Corinto. (Ilumina)
CAPITULO 1
Prefácio e saudação
1Paulo, servo (A palavra grega original doulos, derivada do verbo deo (algemar, aprisionar), significa também: “escravo” -King James) de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,(1) 2o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras(2) (Esta é a primeira vez que a expressão “Escrituras Sagradas” aparece no original grego da Bíblia - King James), 3com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi 4e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor, 5por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios,(3) 6de cujo número sois também vós, chamados para serdes de Jesus Cristo. 7A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.(4) 
O amor de Paulo pelos cristãos de Roma. Seu desejo de vê-los
8Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé.(5) 9Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós 10em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos. 11Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados, 12isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha. 13Porque não quero, irmãos, que ignoreis que, muitas vezes, me propus ir ter convosco (no que tenho sido, até agora, impedido), para conseguir igualmente entre vós algum fruto, como também entre os outros gentios.(6) 14Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes; 15por isso, quanto está em mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma.
O assunto da epístola: a justiça pela fé em Jesus Cristo
16Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;(7) 17visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.(8)
(Na verdade, o evangelho tem poder para salvar somente pelo fato de que nele está a justiça de Deus, que através de Jesus tornou-se justiça nossa também => Jeremias 33:16 Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; ela será chamada SENHOR, Justiça Nossa. 1 Coríntios 1:30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,)
A idolatria e depravação dos homens
18A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; 19porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.(9) 20Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;(10) 21porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. 22Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos 23e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. (Paulo trata aqui de um conhecimento superficial de Deus, Isto é, tiveram a consciência da existência de Deus, para o qual se o homem atentar, poderá ser conduzido pelo Espírito ao conhecimento mais profundo que o levará à salvação).
24Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; 25pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!
26Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; 27semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.(11)
(Vemos aqui que a razão dos  homens se depravarem não são os pecados que praticaram e sim por falta de conhecimento da soberania de Deus v21. Tiveram conhecimento de Deus mas não o reconheceram. Isto é, tiveram a consciência da existência de Deus mas “desprezaram o conhecimento de Deus” v28. Em outras palavra, por não aceitarem a soberania de Deus veio toda a depravação e não vice-versa).
Entregues os gentios a reprováveis sentimentos
28E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, 29cheios de toda
1) injustiça,
2) malícia,
3) avareza
4) e maldade;
5) possuídos de inveja,
6) homicídio,
7) contenda,
8) dolo
9) e malignidade;
10) sendo difamadores,
11) v30 caluniadores,
12) aborrecidos de Deus,
13) insolentes,
15) soberbos,
16) presunçosos,
17) inventores de males,
18) desobedientes aos pais,
19) 31insensatos,
20) pérfidos,
21) sem afeição natural
22) e sem misericórdia.
32Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.(12)
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(1) Na Antiguidade, toda carta grega seguia uma metodologia padrão de construção. A primeira parte (abertura) deveria identificar o remetente e sua saudação. Paulo se vale desta formalidade para apresentar-se da forma mais clara e ampla possível a uma comunidade de irmãos que ama, porém – até aquele momento – ainda não o havia conhecido pessoalmente, mas esperava fazê-lo em breve (At 9.1; Fp 3.4-14). A palavra grega original doulos, derivada do verbo deo (algemar, aprisionar), significa também: “escravo”. Para um grego dessa época, essa era uma expressão de vergonha e rebaixamento, para os judeus, entretanto, desde Moisés, era a mais expressiva forma de se posicionar em adoração ao Rei dos reis, e um título de honra. Para Paulo, todo cristão é um servo do Senhor Jesus (1Co 7.22; 6.15-23). O termo exprime pertença total e definitiva a Cristo (desde o início Paulo faz questão de usar o vocábulo “Cristo” não apenas como nome próprio, mas especialmente como título do Filho de Deus: o Messias prometido, o Ungido). A expressão “apóstolo” tem a ver com o comissionamento dado a Paulo, pessoalmente, por Cristo (Mc 6.30; 1Co 1.1; Hb 3.1).
(2) Esta é a primeira vez que a expressão “Escrituras Sagradas” aparece no original grego da Bíblia. Todo o AT profetiza a vinda de Jesus, o Messias; cuja vida e ministério são perfeitamente descritos no Novo Testamento (Lc 24.27-44).
(3) Foi devido à desobediência deliberada de Adão, que o homem foi apartado da glória de Deus (Rm 3.23). Entretanto, é pela obediência voluntária e firmada na fé em Jesus Cristo que ganhamos a reconciliação com Deus. A palavra “fé” neste contexto, não significa “fé em doutrinas”, mas sim fé no Evangelho, ou seja, na pessoa do Cristo (o próprio Evangelho).
(4) O sentido mais amplo da expressão original grega, aqui traduzida por “santidade”, é “separado para contínua adoração a Deus”. Neste aspecto, todos os cristãos são “santos”, pois foram sobrenaturalmente “separados” por Deus para servi-lo por meio do seu serviço espiritual diário e contínuo. A expressão tem igualmente o sentido prático de “um aperfeiçoamento espiritual”
que ocorre todos os dias na vida dos crentes pela ministração do Espírito Santo que neles habita (1Co 1.2). A “Graça” é o favor imerecido de Deus; o Senhor nos concedendo a bênção do seu chamado e proteção, ainda que não sejamos dignos. Enquanto “misericórdia” é a paciência longânime do Senhor, que retarda a punição que nossas más intenções, erros e pecados merecem, na esperança de nossa conversão (Jn 4.2; Gl 1.3; Ef 1.2). A “Paz” é a bênção da plena segurança e certeza dos cuidados paternos do Senhor, mesmo em meio às mais graves tribulações e perdas (Jo 14.27; 20.19; Gl 1.3; Ef 1.2).
(5) Paulo, apesar de todo o sofrimento, privações e humilhações pelas quais passou, sempre demonstrava um coração agradecido a Deus. Os cristãos têm toda a liberdade de chegar-se a Deus – como Pai – por meio do sacrifício vicário de Jesus Cristo. Entretanto, não apenas para pedir, mas, sobretudo, para agradecer (Jo 15.16). Paulo costumava iniciar suas cartas com ações de graças (1Co 1.4; Ef 1.16; Fp 1.3; Cl 1.3; 1Ts 1.2; 2Ts 1.3; 2Tm 1.3; Fm 4).
(6) Os gregos costumavam referir-se a todos os povos não-gregos, ou que não falassem seu idioma, como “bárbaros” (At 28.4). Paulo desejava conhecer a Igreja em Roma (predominantemente gentílica), ver como viviam na fé os novos convertidos, bem como compartilhar suas experiências e motivar os mais maduros para a evangelização e o avanço missionário.
(7) Jesus Cristo é também chamado de “o poder de Deus”, indicando uma vez mais que o Evangelho é o próprio Cristo oferecido e recebido pelos crentes (1Co 1.24).
(8) A expressão “de fé em fé”, como aparece em algumas versões antigas, tem o sentido de “fundamentar-se na fé e apelar para a fé”, na qual é enfatizada o aspecto de que a salvação não vem somente por intermédio da fé como também está à disposição de todos os que crêem. No original grego, os vocábulos “fé” e “crer” possuem a mesma raiz. “Justo” refere-se à qualidade da pessoa justa, que não deve nada à lei. É um termo forense, 
(forense, Adjetivo correlato aos foros judiciais; o que se utiliza no foro ou nos tribunais. Em inglês, diz-se forensics, com “s” no final, e denomina, na maioria das vezes, o uso da ciência e da tecnologia para a reconstituição e obtenção de provas de crimes (forensic science, ou ciência forense- Denomina-se linguagem forense aquela utilizada para redigir petições e fazer sustentações orais em juízo - Internet) 
ligado aos tribunais, e  não diretamente relacionado à moral e à ética (2,13; 3.21-24).
(9) Paulo começa a expor um dos principais pontos de seu ensino: a culpabilidade humana fundada na sua sistemática e pertinaz rejeição declarada a Deus. Falta amor e fé em Deus e esta postura produz uma espécie de desobediência que não decorre da ignorância, mas de um forte desejo de rebeldia contra o Criador e da vontade de se tornar o próprio deus dos seus atos. Ao expor a doutrina da justiça divina (1.17; 3.21 – 5.21), Paulo arma sua argumentação teológica que demonstra que todos os seres humanos têm pecados e, portanto, carecem da justiça misericordiosa que somente Deus pode outorgar. Demonstra a culpa e a vocação para o pecado, nos gentios (1.18-32) e nos judeus (2.1 – 3.8). Ou seja, todos nós pecamos e precisamos da purificação outorgada por meio do eterno sacrifício expiatório do Filho de Deus (3.9-20).
(10) Nenhuma pessoa sobre a face da terra, mesmo que ainda não tenha ouvido falar uma só palavra sobre a Bíblia, em relação a Yahweh (o nome de Deus em hebraico) ou quanto a Seu Filho, Jesus Cristo, pode usar como desculpa o fato de não conhecer o essencial de Deus, nosso Criador, e portanto, dever-lhe completa adoração e respeito às suas leis escritas na alma humana. Pois todo o Universo, dos elementos microscópicos às maiores dimensões cósmicas, revelam o poder e a sensibilidade de um Deus único, absoluto e perfeito (Sl 19). A “ira de Deus” não se compara às explosões de raiva demonstradas, muitas vezes, pelos seres humanos em todo mundo. A “ira de Deus” é santa e justa, em repulsa ao menosprezo e rejeição dos seres humanos em relação à natureza e vontade de Deus. Do ponto de vista pragmático, a “ira de Deus” não se limita à condenação dos ímpios no Juízo final (1Ts 1.10; Ap 19.15; 20.11-15). Deus, observando a decisão humana de se afastar da sua presença e conselhos, entrega os pecadores à sua própria volúpia pecaminosa e à liberdade ansiada. Entretanto, esses se tornam escravos de si mesmos e dos que pensam de igual modo. Deus remove as restrições divinas que protegem a humanidade dos piores sofrimentos decorrentes da libertinagem e das coisas mais horríveis (26,28; At 7.42).
(11) As antigas sociedades gregas e romanas não apenas aceitavam o homossexualismo e a pederastia, mas exaltavam essas práticas como uma expressão de afeição superior ao amor heterossexual. As práticas homossexuais eram comuns também em todo mundo semítico; entretanto, para os judeus sempre foi uma abominação (Lv 18.22). A prática homossexual não é uma doença (podendo originar várias: mentais e físicas). É o resultado do pecado do afastamento de Deus (muitas vezes influenciado – como todos os pecados – pelos ardis do Diabo e seus demônios). E isso, ocorre por vários motivos, entre eles, está o fato de tirarmos Deus do seu trono de comando em nossas vidas e entronizarmos o nosso próprio “Eu” com a mais elevada carga de arrogância, egoísmo, mágoas e vaidades. Assim como o alcoólico, fumante, pornógrafo, drogado, mentiroso, fofoqueiro, desonesto, e tantos outros tipos de viciados, a Igreja deve atrair e tratar com carinho especial toda pessoa desejosa de libertar-se de uma vida mundana, vazia e desregrada. “Tudo é possível ao que crê!” (Mc 9.23; Mt 19.26; Lc 18.27).
(12) O afastamento de Deus produz um tipo de “disposição mental reprovável”, ou seja, um favorecimento ao surgimento de idéias e pensamentos cada vez mais avessos à vontade de Deus e ao bom senso. Um grande pecado sempre tem início com uma singela idéia ou pensamento que, depois de algum tempo de sórdido agasalhamento, dá origem a práticas maléficas, ainda que pareçam prazerosas a princípio. Paulo nos adverte para um tipo ainda mais ímpio de pecador: aquele que aplaude o erro e o mal cometido pelo seu semelhante. Hoje em dia, é comum vermos difundidos, especialmente pelos meios de comunicação, elogios de todo tipo a atitudes claramente contrárias à vontade de Deus reveladas nas Sagradas Escrituras. - King James.
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1.1-7 - As epístolas de Paulo seguem o costume antigo de começar com os nomes do remetente e do destinatário, de fazer uma saudação e de prosseguir com um parágrafo de ação de graças (como em 1.8-15); ver a Introdução às Epístolas.
1.2 - Sagradas Escrituras: Isto é, o que nós chamamos de AT; ver At 3.18, n. e cf. 1Co 15.3-5.
1.2-5 - Paulo intercala na sua saudação um breve esboço da mensagem evangélica.
1.3-4 - Paulo distingue em Jesus Cristo dois aspectos: como homem ou segundo a carne, era descendente do rei Davi e cumpria as expectativas judaicas a respeito do Messias (cf. Mt 1.1; Lc 3.23-32); mas, a partir da ressurreição, começou um novo modo de ser e de agir: converteu-se em fonte de santificação para a humanidade, por meio do Espírito Santo, e começou a exercer os plenos poderes de Filho de Deus (At 2.32-33). Em lugar de segundo o espírito de santidade, também se pode traduzir como espírito santificador.
A frase Jesus Cristo, nosso Senhor (ou “Jesus Cristo é o Senhor”) se encontra nas mais antigas confissões de fé; ver Jo 20.28, n. e cf. At 2.36; Rm 10.9; Fp 2.11.
1.5 - Cf. Rm 16.26, onde a epístola termina com esta mesma expressão; cf. também Hb 5.9; 1Pe 1.22.
1.6-7 - Chamados para serdes santos: Isto é, chamados a fazer parte do seu povo santo: Com esta expressão, Paulo freqüentemente caracteriza a Igreja, o povo chamado por Deus (cf. Rm 8.30), santificado no nome de Jesus Cristo e pelo Espírito Santo (cf. 1Co 6.11).
1.8-15 - Parágrafo de ação de graças, com uma oração pelos destinatários (1.1-7, n.). Por muito tempo, Paulo havia desejado visitar Roma (At 19.21; Rm 15.22). Esse desejo haveria de se cumprir mais tarde, quando foi levado preso para essa cidade (At 28.16-31; ver Rm 15.25-29, n.).
1.14 - A gregos como a bárbaros: Os gregos, como os romanos, eram conhecidos como um povo civilizado; os demais povos eram considerados incultos ou bárbaros.
1.16 - Paulo menciona brevemente, nos vs. 16-17, um tema que desenvolverá mais amplamente no resto da epístola (cf. especialmente 3.21—4.25). Para Paulo, “crer” inclui o fato de que o ser humano aceita, com todo o seu ser, a iniciativa salvadora de Deus, realizada por meio de Jesus Cristo. Essa fé inclui a obediência (v. 5), se manifesta especialmente nas tribulações (2Ts 1.4) e é ativa por meio do amor (Gl 5.6). Paulo frequentemente contrasta essa fé com as obras humanas (cf. Rm 9.32) ou a Lei (cf. Rm 3.28), para indicar que o ser humano não pode alcançar a salvação pelos seus próprios méritos, senão como um dom de Deus, oferecido a todos. Cf. Jo 3.15-16; Rm 10.9-13.
Primeiro: Deus tinha dado aos judeus as promessas (cf. At 13.46; Rm 3.1-2; 9.1—11.32).
1.16 a 11.36 Esta epístola contém a mais ampla exposição doutrinária de Paulo. Depois de mostrar como todos estão sob o domínio do pecado, tanto os gentios (1.18-32) como os judeus (2.1—3.20), ensina como Deus oferece a todas as pessoas o perdão por meio de Cristo (3.21-31), mostra a relação dessa ação salvadora de Deus com a promessa feita a Abraão (4.1-25) e explica o seu sentido e consequências (5.1—8.39).
1.17 – 3.28; Gl 2.16,20. De fé em fé: Lit. Outras traduções possíveis: Por fé e para a fé; é por fé, do princípio ao fim; ou uma fé em contínuo crescimento.
Hc 2.4; citado também em Gl 3.11; Hb 10.38. A citação também pode ser traduzida como O que pela fé é justo viverá.
A justiça de Deus: Para expressar a obra salvadora de Deus por meio de Jesus Cristo, Paulo utiliza, às vezes, palavras e conceitos relacionados com a justiça (justiça de Deus, justificar, etc.). Assim designa a ação de Deus pela qual ele declara justo o pecador e o livra dos poderes do mal, colocando-o em um relacionamento de amizade com ele mesmo e chamando-o a viver uma vida nova, já no presente (cf. especialmente Rm 3.21-31; 5.1-2; 8.1-4). Cf. Rm 2.5-11.
1.20 - Cf. Sl 19.1-4.
1.21- Ef 4.17-19
1.22 – Sl 14.1; 1Co 1.20
1.23 – Sl 106.20
1.24 - Cf. Ef 4.19; 2Ts 2.10-12.
1.24 - 32 - Cf. Gl 5.19-21.
1.25 - A verdade de Deus em mentira: Outra tradução possível: Ao invés de seguirem o Deus verdadeiro, seguiram deuses falsos.
Amém: Palavra hebraica usada no AT e no culto judaico especialmente para concluir e reafirmar uma oração (cf. Sl 41.13; 72.19; etc.); às vezes, foi traduzida para o português por “assim seja”. Os cristãos de fala grega continuaram usando essa palavra na mesma forma e com igual sentido. Ver também 1Co 14.16, n. e cf. 2Co 1.20.
1.31 - Este catálogo de vícios tem os seus paralelos na literatura judaica da época e, inclusive, na não-judaica. Ver Vícios, Catálogos de na Concordância Temática. – Ilumina.
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•1.1 Paulo. As cartas antigas começavam com a fórmula geral: "A envia saudações a B". Usando o seu nome romano. Paulo preencheu essa fórmula com significações cristãs. tanto quanto à sua própria descrição (vs. 1-6) como no tocante ao estilo de sua saudação (vs. 7-8).
servo. No grego, alguém totalmente posto à disposição de seu senhor. 
apóstolo. Um mensageiro oficial do evangelho. Ver 2Co 1.1. nota.
o evangelho de Deus. Deus é ao mesmo tempo a origem e o tema da mensagem cristã; o evangelho é a mensagem "de" Deus. Aqui e em outros lugares. o trinitarianismo de Paulo aflora à superfície 11.3-4; 5.1-5; 8.3-4,9-11, 16-17; 14.17-18; 1516,30)
•1.2 foi por Deus, outrora, prometido. O evangelho foi anunciado sob a forma de promessas na pregação biblicamente registrada dos profetas, na qual a apresentação apostólica do evangelho se alicerçou (16.25-27).
•1.3-4 Uma descrição dos dois estágios do ministério do Salvador, e não uma descrição de suas duas naturezas. Embora fosse Filho de Deus, ele "nasceu da descendência de Davi", a fim de compartilhar de nossas fraquezas, mas foi transformado pelo "espírito da santidade", por ocasião de sua ressurreição, e foi conduzido a um novo estágio de sua existência pessoal humana (1Co 15.45; 2Co 13.4).
•1.5-6 Paulo via Cristo como o autor de sua salvação, e também de sua chamada para ser um evangelista entre os gentios (11.13-14; At 9.15; Ef 3.8).
•1.5 para a obediência por Lit... "obediência de fé", indicando tanto a obediência que flui da fé quanto o fato que a fé implica na submissão obediente ao chamamento divino (16 26).
•1.7 os amados de Deus... chamados para serdes santos. Os termos usados na saudação mostrarão ser as notas-chaves da própria epístola, como o chamamento divino, o amor, a graça e a paz, que são explicados detalhadamente. Roma. Capital do Império Romano. Não temos um conhecimento indiscutível sobre a fundação da igreja em Roma, embora visitantes judeus de Roma estivessem entre aqueles que ouviram o evangelho pregado no dia de Pentecostes (At 2.10).
•1.8 dou graças a meu Deus. A gratidão pela obra graciosa de Deus em outras pessoas foi uma característica constante da vida de Paulo (1Co 11.4; Fp 1.3; CI 1.3; 1Ts 1.2; 2Ts 1.3; 2Tm 31, Fm 4).
em todo o mundo. Espalharam-se por todo o império as notícias da presença de cristãos em Roma. a capital.
•1.9 faço menção de vós. D constante empenho de Paulo à oração refletia o seu devotado serviço e o seu anelo de ser espiritualmente útil. Ele orava em plena submissão à vontade de Deus lvs 9-12; cf. Ef 1.15; Fp 1.9; CI 1.9; 1Ts 1.3; 2Ts 1.11; 2Tm 1.3).
•1.11 dom espiritual. Aqui, essa expressão "dom espiritual" não foi usada no sentido funcional de 1Co 12.1. Paulo tinha em mira antes o benefício que flui do exercício de dons funcionais no ministério prestado ao próximo.
•1.12 reciprocamente nos confortemos. O ministério cristão visa ao fortalecimento mútuo do inteiro corpo de Cristo (Ef 4.15-16).
•1.13 me propus ir ter convosco. Não existem registros escritos dessas muitas ocasiões planejadas, mas ver At 19.21; 23.11 quanto ao senso de Paulo de ser impulsionado por Deus na direção de Roma.
impedido. Provavelmente por outras responsabilidades regulares. Ver At 16.6-7 quanto a interrupções nos planos de Paulo, causados ou pelo conselho interno do Espírito Santo ou por declarações proféticas.
entre os outros gentios. Isso nos sugere que Paulo pensava na igreja de Roma como sendo composta predominantemente por membros gentílicos.
•1.14 Pois sou devedor. O planejamento de Paulo (v 13), e sua expectativa (v. 14) estavam arraigados em forte senso de obrigação. Fora-lhe conferido o evangelho para anunciá-lo entre os gentios 111.13-14; cf. Ef 3.1-8).
gregos. O mundo de cultura helenista (os "sábios")
bárbaros. Os incultos. os "não-sábios" do mundo antigo.
•1.16 não me envergonho do evangelho. Embora o evangelho pareça loucura para os sábios, Paulo via a sua mensagem como uma demonstração da sabedoria divina (1Co 1.22-25,30) e não se sentia embaraçado diante do caminho divino da salvação Ver "Salvação", em At 4.12.
o poder. D regenerador impacto transformador de vida da palavra do evangelho, através do Espírito Santo, é algo essencial, devido à servidão da humanidade ao pecado e a Satanás e à debilidade e incapacidade espiritual por causa do pecado (5.6; 85-9)
de todo aquele que crê. A salvação é imerecida; mas não é universalmente desfrutada; a fé é requerida para que haja salvação.
primeiro do judeu. Ao mesmo tempo em que isso era uma verdade em termos da história da redenção 12.9-1 O; Jo 4.22; cf. Me 7.24-30), também era o padrão do alcance missionários de Paulo. Assim sendo, ao visitar as cidades do mundo romano, ele começava expondo as Escrituras nas sinagogas, sempre que isso lhe era possível, quando então ele pregava o Cristo como o cumprimento das promessas do Antigo Testamento (At 9.20; 13.5,14; 14.1; 17.1.17; 18.4,19.26; 19.8). Mas por toda esta epístola aos Romanos. Paulo teve o cuidado de não negar a validade dos privilégios dados por Deus ao seu próprio povo (3.11-12; 9.4-5).
•1.17 a justiça de Deus. Essa é a frase-chave da epístola aos Romanos (3.21; 5.19; 10.3), regularmente explicada na epístola como "justiça... através (ou 'da") da fé" 13.22; 9.30; 10.6). A justiça de Deus é demonstrada na retidão de Cristo que é imputada ou considerada por Deus como pertencente aos crentes. Essa imputação da retidão aos pecadores que creem é plenamente coerente com a retidão pessoal de Deus. Na qualidade de juiz justo e reto 12 5-16). Deus justifica ou declara reto, por meio da morte de seu Filho. aqueles pecadores que confiam em Cristo com verdadeira fé 13.21-26; 5.10). A leitura deste versículo. por parte de Lutero, exerceu um decisivo impacto em sua compreensão sobre a justificação.
de fé em fé. Paulo acentua o fato de que o evangelho, em cada ponto da sua influência, reclama a necessidade da fé, não das obras.
como está escrito. O trecho de Hc 2.4 provê a base bíblica e o sumário do que se segue, indicando que o modo de vida pela fé já era conhecido no Antigo Testamento.
viverá. A vida em contraste com a morte espiritual. e a vida no sentido de uma contínua comunhão com Deus. Do princípio ao fim, viver piedosamente significa confiar em Deus e depender de sua graça.
•1.18 A ira de Deus. A divina e justa retribuição do Juiz e a sua reação pessoal, provocada pelo mal moral.
se revela. O julgamento divino não se limita ao futuro; seu antagonismo contra o pecado já se manifesta no mundo. Seus efeitos são visíveis desde agora.
impiedade e perversão. A ordem das palavras pode ser significativa – visto que a decadência moral segue-se à rebelião teológica. Ou Paulo poderia estar usando juntos esses dois vocábulos para exprimir uma única ideia, a da impiedade iníqua.
que detêm a verdade. Não significa que a verdade seja buscada mas não possa ser achada, mas que, confrontada com a verdade (que é claramente reconhecida, v.20). a humanidade caída busca impedir e obstruir a sua influência, razão pela qual toma-se "indesculpável" (v. 20). A "desculpa" dos homens é um apelo à ignorância.
•1.19 o que de Deus se pode conhecer. Paulo salienta aqui a realidade e a universalidade da revelação divina, que é perpétua ("desde o princípio do mundo", v. 20) e claramente perceptível ("claramente se reconhecem", v. 20). A invisibilidade, a eternidade e o poder são atributos divinos expressos em e através da ordem criada (ver "Revelação Geral", em SI 19.1). O Deus invisível se revela através do meio visível da criação. Essa revelação é manifesta; ela não é obscurecida, mas é claramente visível. Ver nota teológica " Conhecimento Divino Acerca da Culpa Humana".
•1.21 tendo conhecimento de Deus. Com estas palavras. Paulo salientou que a humanidade não somente tem a oportunidade de conhecer a Deus por meio da revelação geral, mas também que essa revelação produz um real conhecimento. O pecado da humanidade consiste na recusa do indivíduo de reconhecer o que já se sabe ser verdade. Apesar de reconhecerem a Deus, as pessoas se recusam a honrá-lo ou a mostrarem-se agradecidas a ele. A consequência de terem rejeitado a Deus foi que suas mentes e corações se obscureceram. A recusa de honrar a Deus leva todos os esforços intelectuais à frustração.
•1.22-23 Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos a mudaram a glória do Deus incorruptível. A arrogância intelectual, na presença de Deus, exibe um senso de valores invertido; a adoração a Deus é trocada pela devoção a ídolos feitos por homens e que refletem os homens. O indelével instinto para adorar é pervertido mediante a centralização sobre objetos errados (v. 25).
•1.24 Deus entregou tais homens. O julgamento divino envolve a remoção das restrições divinas, tanto sobre os atos pecaminosos como sobre as suas consequências (vs. 26,28).
•1.26-27 O efeito da perversão da adoração instintiva a Deus é a perversão de outros instintos, que se afastam de suas funções apropriadas. As Escrituras encaram todos os atos homossexuais sob essa luz (Lv 18.22; 21.13). A consequência é a degradação do corpo (v. 24), a dominação da concupiscência, a desintegração daquilo que é verdadeiramente "natural" (v. 26) e a escravidão a paixões incontroláveis (v. 27).
•1.27 recebendo, em si mesmos, a merecida punição. Até mesmo em um mundo moralmente caído e, portanto, imprevisível (para a humanidade), a recompensa da colheita está relacionada às sementes plantadas (GI 6.7-8).
•1.28 por haverem desprezado... o próprio Deus os entregou. O pecado produz o desdém pelos reais valores e se arrisca a ser deixado por Deus a um espírito de licenciosidade (vs. 29-31).
•1.32 conhecendo eles a sentença de Deus. Paulo via como evidências da culpa e da servidão ao pecado o fato de que o conhecimento do juízo divino não atua mais como força de restrição, antes, torna-se motivo para mais rebelião ainda. sob a forma de encorajar outros ao pecado. Este texto confirma que parte da revelação de Deus. mediante a natureza, comunica seu caráter moral e um senso de dever moral por parte da humanidade. – Bíblia de Genebra.



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